Como o Oi Vert Jam pode contribuir para o skate nacional e em especial do Rio de Janeiro? O evento tem um legado? Quem o próximo nome da lista?
O Oi Vert Jam é definitivamente o evento de skate mais tradicional do Brasil e um dos eventos mais tradicionais do mundo, comparado apenas ao Munster Monster Master Ship que rolou na Alemanha por mais de vinte anos evento que devido a atual mudança do mercado, já não acontece mais. Na minha opinião ter um evento desse nível no Rio de Janeiro é muito bom para o estado e para a cidade do rio, pois é uma oportunidade de skatistas e aficcionados pelo skate poderem ver de perto o melhor do skate mundial vertical. Para se ter ideia disso, eu mesmo em 96 tive que viajar para europa e para São Paulo para ver esse nível técnico de pista e manobra de perto. Estar perto dessa rampa em dia de evento e ver os caras andando é irado!
Entendo que este evento nas versões anteriores colaborou muito e atualmente continua colaborando com o desenvolvimento do skate brasileiro. O fato de ter transmissão ao vivo pela TV Globo no domingo de manha na Programação do Esporte Espetacular e cobertura da Sportv nos outros dias de evento fortalece o esporte e colabora para o crescimento do número de praticantes. Acredito que o fato de ter o skate ao vivo em tv aberta populariza o skate e por isso a cada dia atrai mais e mais crianças, jovens e adultos de diferentes classes sociais para esse esporte.
Avaliando a cena do skate nos ultimos 10 anos em especial a do vertical, desde ano 2000 quando foi realizado a primeira edição do evento, entendo que tudo isso contribuiu para o cena. Se alguem me perguntar a minha opinião sobre o que o evento deichou e o que poderia deixar de legado para o skate do Rio de Janeiro, eu diria que bastante, mas que poderia deixar um pouco mais. Seguindo o exemplo do projeto de sustentabilidade do evento Nescau Street Festival, que doou para projetos sociais do rio e grande rio boa quantidade de skates, parte da madeira de seu cenário e materias de proteção que beneficiou muitas crianças e jovens ajudando ainda mais no desenvolvimento local do esporte. Pensando dessa forma e lembrando que devido aos Jogos Olimpicos que se aproxima se fala muito em um legado a ser deixado para a cidade, e entendo também que um evento deste tamanho com apoio do poder público por si só pode melhorar um pouco mais e usar sua influencia na mídia para sensibilizar o poder público municipal e/ou estadual visando aumentar o investimento local e dessa forma aumentar o legado para o skate do Rio de Janeiro.
No que se refere ao skate profissional e se tratando de transmissão ao vivo com este elenco top envolvido eu tenho convicção que uma premiação maior também deve ser entendida como um legado, já que influencia diretamente na qualidade de vida de competidores profissionais, principamente porque o evento movimenta muitas cifras e porque a transmissão em TV e o nível de profissionalismo no skate é muito alto. Vale lembrar que a premiação de reality show como o Big Brother da mesma emissora paga de premiação uma quantia maior e com um numero de mais de 7 digitos para o vencedor. E vale lembrar que normalmente o vencedor é um desconhcido que não tem uma historia de investimento em uma carreira profissional artistica ou esportiva. No caso do skate os atletas tem uma história e uma carreira e representão o elenco da competição.
No que se refere a cidade do Rio de Janeiro, penso que poderia ser incentivado a este projeto duas linhas de investimento. A primeira na construção de uma pista fixa em praça pública que poderia ser na Zona Sul em parceria com o governo municipal ou estadual, feita em metal e chapas de material a prova de água e com boa iluminação como existe hoje em São Bernardo e outras capitais do mundo para skatistas locais poderem treinar nesta modalidade e a segunda seria a realização ao longo de ano de oficinas de vertical nesta pista com intercambio de profissionais experientes (brasileiros e estrangeiros) que pudessem trazer conhecimento desta modalidade para cá.Vale lembrar que logo o skate se tornará um esporte olimpico o que é inevitável e o Brasil uma importante potencia mundial desta modalidade.
Esse investimento deveria ser fácil, pois o rio tem tradição no esporte e no skate. Somente na decada de 70 foram construidas 3 pistas, Nova Iguaçu que é de 76, Campo Grande que é de 78 e do Tanque que é de aproximadamente de 79. A cidade é maravilhosa e tem história no skate. Tem o Bob, Allan Mesquita e Bruno Passos. Tem o Cesinha e Come Rato, mas a coisa não é tão simples assim. Veja que o rio não tem representação no evento. O Bob é carioca, mas é da geraçcão antiga e ele não conta na nova lista pois esta morando na Califórnia a bastante tempo, e por lá ele tem uma pista em casa para treinar. No rio queremos carne nova. Queremos revelar novos talentos para torcer por eles. Se rolasse uma ação como a sugerida acima, em um ano ou dois sem desperdicio de investimento (como as vezes ocorre com o poder publico quando vai construir pista de skate) o rio poderia ter skatistas disputando a semi final, a final, e quem sabe encabeçando o pódio, talento por aqui não falta, principalmente no street e em pista (banks). Migrar do street ou banks para o vert não é dificil. Basta gostar de skate e ter a oportunidade. Nos falta a oportunidade.
No vertical brasileiro esta acontecendo uma renovação. Esta chegando uma nova geração. Pedro Barros, Roni, Dan Cezar, Marcelo Bastos entre outros fazem parte desta lista nova da renovação do skate nacional... mas infelizmente o rio ainda não tem um novo nome nesta lista.
Texto: André Viana Figueiredo.
André anda de skate a mais de 20 anos, atualmente ocupa o cargo de presidente da federação de skate do Rio de Janeiro (FASERJ) e Coordena o Projeto Curso de Skate. Ele é Prof. de Educação Física, foi consultor de skate do Programa Malhação da TV Globo em 2006, é um pesquisador do tema skate e atua com consultor esportivo.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Reflexões do Skate Carioca
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